Postado por Jess~ terça-feira, 20 de abril de 2010 às 22:01

Costumava ir à piscina todos os dias. Ou quase todos.
Gostava da sensação de prender o ar, de flutuar...
Às vezes até parecia que estava realmente flutuando.
Nas nuvens, e não na água.
Mas um dia, a piscina já não a satisfazia mais... Não era mais tão grande.
Prender o ar já causava asfixia nos primeiros dois segundos, e não conseguia mais enxergar o que tinha no fundo dela.
Saiu da água pensando que era o seu último mergulho.
Secou cada pedaço do corpo com uma toalha. Já esquecendo a sensação de estar molhado, já esquecendo a sensação de flutuar.
Os pensamentos a seguiam todos os dias. Mas ela nem os via. Ficavam escondidos por entre os postes, por entre as ruas, atrás das árvores... Dentro do seu chapéu...
Até que um dia, ela tropeçou em um deles.
Um colorido e de concreto -- E ele segurava uma plaquinha escrito "Lembrança".
Foi como um tapa na cara, ou uma explosão no prédio ao lado. Ou só o tipo de coisa que faz o seu cérebro chacoalhar e parecer mais pesado dentro do seu crânio.
Correu, correu, correu, correu. Como sempre fazia quando estava desesperada.
Correu dentro de si mesma e não achou piscina. Achou mar.
Pulou na água de novo. As ondas ajudavam a puxá-la pra longe.
Desceu até o fundo pra ver até onde aguentava até o oxigênio acabar.
...Mas não subiu.
Engoliu água.
Engoliu mais água.
Sonhou.
Um sonho bom e salgado.
Um sonho que nem era sonho.
Um sonho que ela lembrava muito bem.
I think i'm drowning,1 comentários Marcadores: autumn
Postado por Jess~ segunda-feira, 12 de abril de 2010 às 12:23
"(Silêncio)
- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu."
2 comentários Marcadores: cfa, morangos mofados
Postado por Jess~ sábado, 3 de abril de 2010 às 23:57

Dirigia o carro em alta velocidade.
A estrada estava vazia, e a única iluminação era o farol alto.
Os pensamentos explodindo como fogos de artifício em sua cabeça que antes, estava vazia.
Murmurava tudo que queria dizer, tudo que deveria dizer. Olhando nos olhos, atravessando a alma. Sem medo de machucá-lo.
Mas só murmurava, enquanto as lágrimas escorriam.
Nunca diria. Esqueceria.
Mandaria embora.
A estrada continuava vazia, e a velocidade continuava aumentando.
100km/h,
240km/h,
320km/h.
Colisão.
Atropelei a mim mesma.
E morri aqui dentro de mim.
0 comentários Marcadores: acidente