
Gosto de lembrar quando éramos tão próximos que os sussurros percorriam os quilômetros e chegavam aos destinatários no tempo correto.
Não sei se você ainda sussurra, mas eu ainda tento. E mesmo que chegue a outros ouvidos, fico feliz. Talvez assim eles saibam que o amor existe e não desistam.
Às vezes, pra me consolar, imagino que você nunca existiu. Que você é uma brincadeira da minha mente pra fingir que tive momentos bons com alguém tão distante. E que no fundo, só aprendi bastante comigo mesma. No fundo eu sei que você ainda está lá, e imagino que ainda se importe.
Mas o tempo existe, certo? É o capataz cruel que tortura a alma de quem se atreve a sentir.
Um pouco chato saber que essa distância que dói tanto é produto dele. Pior ainda saber que não é pessoal, que não é só com a gente.
Queria te lembrar que as nossas poltronas ainda estão reservadas e que o champagne ainda não estourou. E também queria te lembrar que meu amor por você é equivalente à quantidade de sardas na minha pele, ou à quantidade de cachos que o seu cabelo guardava – foram todos pro chão, não é mesmo?
Se você é real, espero de todo o meu coração que sinta metade dessa saudade que ainda amarra a minha garganta num nó cego depois de tanto tempo.
Se não for, obrigada pelas memórias, Domador de palavras.
...As snow falls on desert sky, until the end of everything.
