
O silêncio do cômodo vazio fazia tudo parecer apenas silencio.
Como se não tivesse mobília, como se não tivesse nenhum átomo fora dali.
Só o som baixinho dos corações batendo rápido.
Os lábios avassaladores que se encontravam lento e forte, quebrando o silencio inquebravel.
A fragilidade de cada gesto e cada jeito. Se deixando levar pelo conhecido, que a cada segundo se mostrava novo.
Nos momentos desprevenidos, saiam faíscas pelas brechas que sobravam entre nós.
Estávamos queimando vivos.
Cada pedaço de pensamento era esquecido a cada grito e a cada respirar.
Era como se sumisse o “lá fora” enquanto o “aqui dentro” explodia.
Explosões contínuas e inacabadas. A música que tocava era só um detalhe, as palavras sujas e infames também.
Tudo era uma coisa só.
Tudo era indivisível e diferente por um momento.
Quando terminam os fogos de artifício e a calmaria chega, as coisas voltam ao seu devido lugar.
Mas a pressão das explosões ainda fica, e o cheiro da fumaça permanece.
E tudo isso pode ser contado em um relógio.
É por isso que dizem que histórias de amor só duram 90 minutos.
And it feels like I'm alive.
